O nascimento de um filho é geralmente vivido com grande emoção, contudo, no período pós-parto estão também muitas vezes presentes sentimentos ambivalentes e contraditórios, que vão deste a felicidade e o deslumbramento, até à insegurança e o medo no futuro. Desta forma, o período pós-parto constitui também (para além da gravidez) uma fase potencialmente vulnerável para a saúde psicológica da grávida, do bebé e do casal parental.

Com o parto e o nascimento do bebé surge um conjunto de novas transformações e mudanças físicas, psicológicas e sociais na mãe e no bebé. Todas estas novas transformações podem interferir com o bem-estar emocional da mãe, influenciando a sua relação com o bebé. Por sua vez, a necessidade de adaptação aos ritmos do bebé pode conduzir ao aumento dos níveis de fadiga e de desgaste emocional em ambos os pais, exigindo ao casal parental constantes reorganizações e adaptações, assim como uma preparação psicológica para as novas experiências que surgem agora.

O desenvolvimento de uma relação de vinculação afetuosa e estimulante entre a mãe, o pai e o bebé constitui um dos aspetos fundamentais que vai servir de base a todo o desenvolvimento futuro da criança. É possível e desejável desenvolver um estilo parental consistente com uma relação de vinculação segura, que permita ao bebé crescer com um sentimento de segurança interna, confiança na relação com os outros, curiosidade e desejo de explorar o mundo, e de aprender.

Através do acompanhamento psicológico no período pós-parto, os pais podem usufruir do desenvolvimento de uma série de estratégias e competências que lhes permitem maximizar a qualidade das suas interações e relações pais-bebé, assim como potenciar o desenvolvimento saudável e harmonioso do seu bebé.

O acompanhamento psicológico no período pós-parto pode desempenhar um papel importante para o bem-estar psicológico da grávida, do bebé e do casal. Para além disto, pode ainda assumir um papel fundamental para o desenvolvimento psicossocial do bebé, comportando benefícios para a sua saúde psicológica ao longo de todo o seu ciclo de vida.

 

Benefícios do Acompanhamento Psicológico durante o Período Pós-Parto:

 

Acompanhamento e apoio aos pais no que respeita às adaptações e vivências físicas, biológicas, psicológicas e sociais, experienciadas ao longo do período pós-parto;

Apoio emocional e afetivo à mãe, ao pai e/ou ao casal, no sentido de promover o seu bem-estar emocional;

Facilitação das relações pais-bebé, com vista a: 1) otimizar a relação de vinculação entre os pais e o bebé; 2) maximizar a qualidade das suas interações; 3) promover a satisfação das necessidades afetivas e emocionais do bebé; e, 4) potenciar o desenvolvimento saudável do bebé;

Acompanhamento e suporte às funções parentais;

Aquisição de informação útil e desenvolvimento de conhecimentos práticos;

Esclarecimento de dúvidas, questões, medos e receios;

Intervenção psicológica atempada em situações de risco ocorridas no período pós-parto (ex., problemas com o bebé, como malformações, prematuridade, internamento nos cuidados intensivos neonatais; problemas após a alta da maternidade, bebé com temperamento difícil, bebé com patologia somática crónica ou recorrente, com atraso de desenvolvimento ou com outras necessidades especiais; e problemas com a mãe, como os blues pós-parto ou baby blues, etc.);

Prevenção e/ou intervenção precoce em patologias psicológicas durante o período pós-parto (ex., depressão pós-parto, problemas de ansiedade, etc.);

Outros…

 

 

O que são os Blues Pós-Parto (ou Baby Blues)?

Cerca de 70 a 80% das mulheres experimentam, durante o período pós-parto, aquilo que se designa por blues pós-parto ou baby blues.Trata-se de um conjunto de sintomas que pode incluir, nomeadamente, alterações de humor, tristeza, choro sem motivo aparente, impaciência, irritabilidade, inquietação, ansiedade, fadiga, insónia, entre outros.

Os sintomas podem assemelhar-se aos da depressão pós-parto, mas nos baby blues acabam por desaparecer espontaneamente pouco tempo depois. Na generalidade, os sintomas surgem dentro de 3 a 5 dias após o parto e desaparecem dentro de 15 dias.

Muitas mulheres sentem-se confusas ao se confrontarem com sentimentos de tristeza após o feliz acontecimento de terem dado à luz um bebé, mas evitam falar sobre os seus sintomas e sentimentos. No entanto, falar com alguém de confiança (ex., o companheiro, um familiar, amigo/a ou um psicólogo) sobre os sintomas, as emoções e alterações que está a experienciar é uma das melhores formas da mulher superar os baby blues…

Depressão Pós-Parto

A depressão pós-parto atinge cerca de 16% das mulheres. Porém, quando existem outros fatores de risco associados – como gravidez na adolescência, isolamento social, história anterior de depressão ou de depressão pós-parto – a prevalência desta doença torna-se mais elevada, atingindo cerca de 50% das mulheres com história de depressão pós-parto anterior.

Os sintomas da depressão pós-parto podem ter início desde alguns dias após o parto até um ano depois (ou seja, os sintomas podem surgir até ao fim do primeiro ano de vida da criança). Numa grande parte dos casos, manifestam-se a partir da 6.ª semana do período pós-parto. Os sintomas podem ser leves ou graves, tendo geralmente a duração de mais de 2 semanas (≥15 dias).

Os sintomas e sinais de alarme da depressão pós-parto podem incluir:

- Sentimentos de tristeza profunda

- Crises de choro

- Ansiedade

- Desespero

- Sentimentos de culpa e/ou inutilidade

- Perda de interesse nas coisas e/ou atividades que anteriormente costumava apreciar

- Fadiga

- Alterações do sono

- Alterações do apetite

- Dificuldades de concentração

- Evitamento dos familiares e/ou amigos

- Pensamentos de desesperança, morte ou suicídio

- Outros…

É fundamental detetar o mais precocemente possível os casos de depressão pós-parto ou de risco potencial, de forma a possibilitar o diagnóstico e o tratamento atempados. Somente assim será possível prevenir o agravamento dos sintomas e o surgimento de problemas mais graves no futuro...

 

 

“A Psicologia é para todos – crianças, adolescentes e adultos –, independentemente do seu género, idade, escolaridade, habilitações académicas, situação financeira, etc… Todos nós, em algum (ou em diferentes) momento(s) da nossa vida, podemos necessitar da ajuda de um Psicólogo e temos o direito de ter o apoio de que necessitamos (…)

A missão do meu trabalho é transformar vidas e é sempre uma honra poder ajudar quem precisa…”

Cláudia Madeira Pereira

 

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