Chega Setembro e, se por um lado, para muitas crianças as saudades das férias começam mesmo antes destas terminarem, por outro lado, para muitas outras surge uma genuína saudade e inquietação com o tão esperado momento de regressar à escola, de retomar as rotinas escolares, de rever os amigos e até mesmo os professores (pelo menos, alguns!)… Bom, mas apesar de tudo isto, ao chegar Setembro, com o regresso às aulas, muitas crianças e adolescentes dirão “Que seca!”… Digamos que o regresso às aulas despoleta sentimentos diferentes de acordo com a idade e as diversas circunstâncias de cada criança e adolescente.

Muitas crianças vão entrar, pela primeira vez, no primeiro ano do 1.º ciclo, o que corresponde a muitos pais entusiasmados, mas também apreensivos. Apesar disto é habitual nos pais o sentimento de orgulho ao verem os seus filhos começar uma nova etapa das suas vidas: o ingresso na escola. De facto, a entrada no 1.º ano é um acontecimento extremamente importante na vida da criança por corresponder à passagem do “tempo de brincadeira” para o “tempo da aprendizagem”.

É importante que a criança sinta que esta entrada lhe vai trazer maiores responsabilidades, mas a preparação deve ser feita com antecedência e não apenas no exato momento de ir para a escola. Torna-se também fundamental incutir na criança o gosto pela escola de uma forma lúdica e divertida, caso contrário a entrada na escola, como uma experiência nova e inesperada, poderá ser vivida com medo e ansiedade. Importa não esquecer ainda que o ensino não é apenas da responsabilidade da escola. Servirá de pouco se a criança aprender a ler ou escrever e os pais não lhe estimularem o gosto pela leitura e a escrita…

Um outro momento crítico é o início dos vários ciclos: 5.º ano, 9.º ano e 12.º ano. A transição do 1.º para o 2.º ciclo do ensino básico (5.º ano) é geralmente um momento difícil devido à passagem de uma escola pequena com uma professora maternal e aulas numa só sala para uma escola grande com inúmeras salas de aula, professores, colegas, turmas, etc… O início dos vários ciclos, apesar de uma altura crítica passível de criar alguns problemas, não deixa de constituir um momento de crescimento se for gerido e ultrapassado da melhor forma com o apoio dos pais.

Para os adolescentes já no final da adolescência Setembro corresponde ao momento do veredicto final: “Será que entro para a Universidade?”, “Nesta ou naquela alternativa?”, “Nesta ou naquela Faculdade?”… Começam os dramas e as inquietações com as médias, com os recursos económicos no caso de se optar por uma faculdade privada, com as hipóteses de ter de ir para aqui ou ali, ou ir para uma faculdade e pedir transferência para outra… Apesar destas inquietações, a responsabilização progressiva dos adolescentes nos assuntos que lhe dizem respeito constitui um importante fator de desenvolvimento e amadurecimento.

Seja qual for a idade, quando a criança ou o adolescente se refere ao começo das aulas como “uma seca!”, importa lembrar-lhe todas as coisas que, na maioria dos casos, são divertidas e têm implicações importantes e positivas no seu presente e futuro. É bom que crianças e adolescentes aprendam e sabiam que a vida é uma relação de cooperação e que os seus comportamentos têm consequências, que deverão fazer as coisas, mesmo as menos agradáveis, por si e pelo seu presente e futuro, e não apenas porque têm de obedecer (ou agradar) aos pais e professores. Na verdade, o brio e o desejo de aprender para ser mais e melhor (sentimento saudável desassociado da competição desenfreada) cultivam-se e desenvolvem-se nestas idades…

A maioria das escolas abre em meados de Setembro, pelo que é aconselhável criar-se um período de transição em que as últimas semanas (ou, pelo menos, os últimos dias) das férias sejam pautados com algumas “obrigações” e atividades semelhantes às da rotina escolar. Ir à escola informar-se dos horários, comprar os livros e os materiais escolares, arrumar e preparar o espaço de trabalho são apenas alguns exemplos de atividades que podem facilitar o regresso à rotina escolar, mantendo-se ainda assim alguma descontração com momentos de lazer e diversão.

Esta aproximação gradual e progressiva serve a importante função de preparação psicológica para uma rotina diferente daquela a que já estavam habituados (das férias), diminuindo o impacto e o choque inicial com o regresso às aulas. No caso de haver uma mudança de escola é aconselhável que a criança ou o adolescente visite previamente a nova escola para conhecer as suas instalações, os seus espaços e ambientes (e, se possível, alguns professores ou colegas), o que irá permitir diminuir a sua ansiedade inicial e facilitar a sua integração social.

 


Artigo publicado na revista Papas & Bebés, Edição de Setembro de 2011. Ver aqui.