No dia 26 de Maio comemora-se o Dia Europeu de Combate à Obesidade, pelo que torna-se pertinente informar e sensibilizar a população para este problema de saúde pública, considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a epidemia do século XXI. A obesidade constitui uma doença crónica cada vez mais prevalecente nos países ocidentais, incluindo Portugal. No nosso país a taxa de prevalência da pré-obesidade e obesidade é de 53,6%. Cerca de 14% dos adultos tem obesidade e 31% das crianças e adolescentes apresentam excesso de peso. Estima-se que a obesidade atinja cerca de 50% da população mundial em 2025… uma verdadeira epidemia como preconiza a OMS…

Trata-se de uma doença complexa determinada pela interação simultânea de múltiplos fatores, nomeadamente, genéticos, comportamentais, psicossociais, ambientais e outros. A alteração dos estilos de vida a que temos assistido ao longo das últimas décadas – com o aumento do sedentarismo e da disponibilidade de alimentos hipercalóricos (e.g., fast food) – destaca-se entre os fatores que mais têm contribuído para o aumento da obesidade, particularmente em crianças e adolescentes.

A obesidade está associada a uma série de outras doenças, entre as quais a diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, complicações respiratórias, ortopédicas, gastrointestinais e metabólicas. Estas doenças e complicações, anteriormente registadas apenas na população adulta, encontram-se hoje cada vez mais presentes em crianças e adolescentes com obesidade.

Para além das complicações médicas associadas, a obesidade apresenta ainda outras consequências graves, quer a nível psicológico, quer social. Problemas como a depressão, baixa autoestima, insatisfação corporal, perturbações do comportamento alimentar, discriminação e isolamento social estão entre uma série de muitos outros problemas psicossociais que se encontram com frequência associados à obesidade. De salientar que estes problemas psicossociais, mais do que os problemas médicos, constituem a principal fonte de inquietação de crianças e adolescentes com obesidade. Em idade pediátrica, mais do que a preocupação com as doenças que possam estar associadas ao excesso de peso, as crianças e os adolescentes com obesidade mostram uma enorme preocupação e desejo de se sentirem bem consigo mesmos, com o seu corpo e com os outros à sua volta.

Uma vez que constitui uma doença com implicações a múltiplos níveis, a obesidade exige uma intervenção multidisciplinar, envolvendo acompanhamento médico, endocrinológico, nutricional, psicológico, etc. O prognóstico será tanto melhor, quanto mais cedo tiver início o tratamento e multifacetada for a intervenção.

No caso de crianças e adolescentes, o envolvimento dos pais no tratamento é fundamental, constituindo um fator decisivo para o sucesso da intervenção. De notar que são os pais que geralmente compram os alimentos para ter em casa e é deles que está dependente a inscrição do filho numa atividade desportiva. As atitudes e os comportamentos dos pais têm um forte impacto nas crianças, como tal, os pais podem – através dos seus comportamentos saudáveis – incentivar práticas também mais saudáveis nos filhos. Para além disto, os pais constituem uma importante fonte de apoio e suporte emocional, pelo que representam um elemento-chave para o sucesso do tratamento.

O tratamento pode envolver diferentes tipos de intervenção, consoante a gravidade da situação de excesso de peso. Por exemplo, nos casos de obesidade mórbida em adultos com graves problemas médicos, a cirurgia bariátrica pode ser considerada a intervenção mais apropriada. No entanto, a mudança dos comportamentos associados ao estilo de vida é uma condição necessária para o sucesso do tratamento e um elemento determinante para a manutenção sustentada das perdas de peso a longo prazo, qualquer que seja o procedimento de intervenção adotado ou a população em causa (crianças, adolescentes ou adultos).