Os bebés passam uma grande parte do dia a comer e os alimentos que ingerem têm um papel determinante para o seu crescimento e desenvolvimento. Uma alimentação nutritiva proporciona ao bebé a energia necessária ao seu crescimento e à exploração do meio, mas o ambiente e o contexto socioafetivo que envolvem as refeições têm também um papel determinante, nomeadamente no que respeita à forma como, no futuro, a criança vai percecionar a alimentação e os momentos das refeições.

Idealmente, as necessidades nutricionais do bebé devem ser satisfeitas em ambientes seguros, descontraídos e pacíficos, onde os pais respondem adequadamente às necessidades do bebé e prestam os cuidados e os afetos promotores do seu bem-estar. Assim, o contexto das refeições deve proporcionar momentos positivos e agradáveis à criança, permitir a exploração dos alimentos e apoiar a tentativa da criança em comer sozinha.

De facto, a alimentação e as refeições dos bebés e das crianças têm uma importância e uma função muito para além da mera satisfação da necessidade básica da alimentação.

Para os bebés, as refeições constituem momentos privilegiados de contacto físico próximo com a mãe ou o pai que o alimenta. Quando a mãe ou o pai responde adequadamente ao choro de fome do seu bebé com um biberão de leite, acolhendo-o nos seus braços de forma reconfortante, transmite à criança que ela pode confiar no mundo como um local onde as pessoas reconhecem e respondem às suas necessidades, e onde pode crescer e desenvolver-se natural e pacificamente.

Para um bebé mais crescido, a refeição constitui o momento de comer, mas também de explorar novos sabores, cheiros e texturas, e de tentar comer sozinho com as mãos ou uma colher. Constitui também um momento privilegiado de explorar os alimentos e os utensílios. Por exemplo, a criança pode mostrar-se muito interessada em explorar o que acontece ao leite que está na caneca quando esta se vira, ou em examinar com os dedos ou uma colher os alimentos que estão no prato. Nesta etapa do desenvolvimento as crianças tendem também a manifestar o gosto de sociabilizar e interagir com os outros durante as refeições.

À medida que vão crescendo e desenvolvendo as suas capacidades, as crianças vão trazendo para as refeições as suas recém-adquiridas competências físicas. Conseguem sentar-se já sem ajuda, apresentam um maior controlo dos braços e mãos, podendo, assim, mais facilmente levar as coisas à boca. As refeições acabam assim por proporcionar à criança momentos privilegiados de exploração e aperfeiçoamento das suas competências físicas.

A hora da refeição vai-se tornando cada vez mais uma hora privilegiada para o convívio e para a interação, nomeadamente com os pais e irmãos quando em casa, e com outras crianças quando no infantário. É frequente verificar que enquanto a criança come, gosta de interagir com os outros e de ser parte integrante de uma conversa com aqueles que se encontram à mesa. A refeição passa a representar assim um evento socioafetivo importante.

À medida que os pais se vão acostumando às práticas de exploração do seu bebé ou criança durante as refeições, verificam que a criança acaba de facto por comer a sua refeição, em quantidade adequada e a um ritmo que satisfaz as suas necessidades pessoais, e, por isso, recebe os benefícios de uma adequada e nutritiva alimentação.

Os pais devem saber interpretar o comer com os dedos, o entornar o leite, o sujar as mãos ou a mesa, e a rejeição (ou a difícil aceitação) de novos alimentos (fenómeno conhecido por neofobia) como comportamentos típicos do normal desenvolvimento das crianças. Embora as crianças não estejam ainda preparadas para praticar as regras formais de etiqueta à mesa, se o contexto socioafetivo das refeições proporcionar o prazer de comer e de conversar com os outros num ambiente caloroso e apoiante, estas experiências positivas conduzirão a criança não só a ter maneiras à mesa, mas também a aprender a gostar dos alimentos e a conseguir retirar prazer da sua ingestão (ultrapassando mais facilmente a fase da neofobia).