Com o início do novo ano e depois dos excessos cometidos no Natal e na passagem de ano, nada melhor do que começar o ano a pensar na saúde da sua família, particularmente dos seus filhos… Mas, ajudar os seus filhos a começarem o novo ano com mais saúde pode não ser tarefa fácil. Os seus filhos poderão não ficar muito satisfeitos com a ideia de, após um período em que se habituaram à ingestão frequente de alimentos doces (refiro-me à época do Natal e da passagem de ano), verem-se agora privados desses mesmos alimentos… De facto, é frequente verificar-se que as crianças, após um período em que se habituaram a sabores mais doces e intensos (por exemplo, bolos), passam a aceitar mais dificilmente ou mesmo a rejeitar a ingestão de alimentos menos doces e intensos (por exemplo, fruta). Desta forma, seguem-se algumas sugestões para os pais que os poderão ajudar a restabelecer a rotina alimentar saudável da sua família e ajudar os seus filhos a começarem o novo ano com mais saúde:

  • Opte por diminuir gradualmente o acesso aos alimentos doces por parte dos seus filhos, ao invés de impedir drasticamente (por exemplo, de um dia para o outro) o acesso a estes alimentos. Ao diminuir gradualmente o acesso aos alimentos doces e ao aumentar sucessivamente a oferta de alimentos mais saudáveis, fará com que o restabelecimento da rotina alimentar não seja tão difícil e desagradável para os seus filhos;
  • Mantenha sempre disponíveis e facilmente visíveis (apenas) os alimentos mais saudáveis (por exemplo, ter uma taça com fruta) e diminua gradualmente a presença de alimentos doces em casa;
  • Não desista de continuar a oferecer os alimentos mais saudáveis, ainda que os seus filhos continuem a rejeitá-los. Para aumentar a aceitação destes alimentos por parte das crianças poderá tornar a sua apresentação mais atraente e apelativa. Por exemplo, as frutas podem ser oferecidas na forma de salada de fruta, sumos naturais, purés ou espetadas de fruta. Os vegetais podem ser oferecidos na forma de sopa ou cremes, em pizzas ou tartes de legumes ou em pratos que as crianças gostem (misturados com os alimentos mais apreciados pelos seus filhos);
  • Não obrigue os seus filhos a ingerirem os alimentos saudáveis e não os puna se não quiserem ingeri-los. A obrigação e a punição contribuem para uma maior aversão e rejeição do alimento por parte das crianças. Opte antes por tornar os contextos, em que estes alimentos são oferecidos, mais harmoniosos e positivos. Não se iniba de brincar com os alimentos ou de contar histórias divertidas em que os personagens são frutas ou vegetais para incentivar os seus filhos a ingeri-los;
  • Recompense os seus filhos com elogios pela ingestão de alimentos saudáveis (por exemplo, “Estou muito orgulhosa/o de ti por teres comido a sopa!”). Não utilize alimentos como recompensa. Dar um chocolate como recompensa por ter comido a sopa não contribui para que a criança aprenda a gostar de sopa. Neste cenário a criança comerá a sopa simplesmente para obter o chocolate que tanto deseja, o que faz com que o chocolate se torne ainda mais desejado e a sopa seja ainda mais depreciada pela criança (segundo o discurso de uma criança “Para ter o chocolate que mais gosto tenho que comer a porcaria da sopa que cada vez detesto mais!”);
  • Evite levar os seus filhos às compras para impedir birras ou discussões em resultado do contacto das crianças com os alimentos doces à venda;
  • Estabeleça com a mãe/ o pai dos seus filhos regras no que se refere à alimentação das crianças. A inconsistência nas práticas educativas exercidas pelos pais no que toca à alimentação dos seus filhos pode permitir que as crianças tirem partido dos desacordos entre os pais para conseguirem o que desejam. Por exemplo, se a criança percebe que o pai a deixa comer chocolates sempre que deseja, mas a mãe não lhe dá essa possibilidade, a criança passa a recorrer ao pai sempre que deseja comer chocolates ou a queixar-se ao pai quando a mãe recusa dar-lhe este alimento.

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