É Dezembro e o frio característico desta época faz-se sentir! Em algumas cidades a neve cai e os pinheiros são cobertos de neve! Vilas e cidades estão repletas de luz e estrelas resplandecentes pincelam as ruas de brilho e magia! Os mais pequenos ouvem curiosos os mais velhos que lhes contam histórias de Natal e os adultos, esses, trocam entre si peripécias do Natal da sua infância! Junto às padarias e pastelarias sente-se o cheirinho dos Bolos-Rei, aquele aroma quente e doce que faz as delícias de pequenos e graúdos! Cheira a Natal! Pelas ruas e ruelas soltam-se sorrisos, somos brindados com votos de boas festas e convidados a festejar o Natal!

Cenários como estes simbolizam e representam o Natal para a maioria de nós e envolvem adultos e crianças num sentimento repleto de alegria!… O Natal marca uma época especial de celebração do nascimento de Jesus Cristo. Mas será que é isto que torna o Natal tão especial para a maioria de nós e, em particular, para as crianças? Será que as crianças quando pensam no Natal se lembram do seu verdadeiro significado?…

Infelizmente, nos dias de hoje, verificamos que são as férias, os doces e os presentes que mais caracterizam o Natal, especialmente para as crianças.

 

Fazer Frente ao Consumismo de Natal

As vitrinas das lojas recheadas de brinquedos convidam as crianças a entrar e lembram-nas de que ainda não têm, mas vão querer ter, este e aquele “fantástico” brinquedo neste Natal!

Todos os anos e cada vez mais cedo, os anúncios publicitários a brinquedos multiplicam-se e repetem-se infindavelmente em horário infantil nos mais diversos canais televisivos. Magnificas princesas e bonecas de sonho, fantásticos heróis de banda desenhada, pistas incríveis de carros telecomandados, magnificas casas de sonho de bonecas!… Um mundo infindável de brinquedos…

Mas, o Natal significa muito mais do que receber presentes e, por isso, face à enorme e muito atraente campanha publicitária aos brinquedos torna-se necessário vigiar a exposição das crianças aos anúncios televisivos.

É ainda importante que os pais expliquem aos seus filhos que não é possível comprar todos os brinquedos que passam na televisão e que nesta quadra “dar” é mais importante do que “receber”…

Comprar todos os brinquedos que as crianças desejam constitui para muitos pais uma forma de compensar o pouco tempo que passam diariamente com os filhos, no entanto, isto pode ter consequências negativas. Uma criança que está habitada a ter tudo o que deseja apresenta geralmente uma maior dificuldade em lidar com as frustrações do dia a dia (podendo esta dificuldade manter-se, mais tarde, na idade adulta). Desta forma, o mais saudável para a criança é que haja bom senso da parte dos adultos que lhe oferecem presentes. É importante não dar tudo o que a criança pede, mas também não recusar todos os seus desejos. A criança tem direito a receber dois ou três brinquedos de que gosta e que valoriza.

Para além das crianças, também os pais podem ser influenciados pela publicidade aos brinquedos, podendo cair na tentação de querer dar aos seus filhos os melhores presentes, os presentes mais caros e os presentes mais “fantásticos”… Porém, importa lembrar que, embora as crianças recebam geralmente uma extensa panóplia de presentes, acabam por e scolher apenas um ou dois para brincar e, não são raras as vezes, em que os brinquedos eleitos são os mais simples e os menos dispendiosos do conjunto de brinquedos com que foram presenteadas.

Se os pais deixarem que o consumismo natalício domine o seu comportamento nesta quadra, é provável que as crianças interiorizarem esses mesmos comportamentos. No entanto, o Natal não se resume a presentes e é fundamental que as crianças percebam que esta quadra representa muito mais do que isso. Envolver as crianças no verdadeiro significado do Natal é uma excelente forma de lhes incutir o verdadeiro espírito desta quadra.

 

Sugestões para os Pais

Reúna-se com os seus filhos e explique-lhes a verdadeira história do Natal. Para isto poderá recorrer à ajuda de livros apropriados para crianças.

Em casa, ponha músicas de Natal a tocar que transmitam mensagens de alegria e solidariedade. Leia aos seus filhos histórias e contos de Natal, e veja com eles filmes e desenhos animados desta época natalícia, dando preferência àqueles que inspiram o sentimento solidário nos mais pequenos.

Junte-se com os seus filhos e elaborem uma lista de pessoas a quem gostariam de dar um presente ou enviar um postal de boas festas (por exemplo, um familiar doente, um amigo, um professor, etc.).

Incentive e ajude os seus filhos a confecionarem os presentes e postais de Natal que gostariam de oferecer, em vez de os comprarem. Esta é uma excelente maneira de mostrar às crianças que o valor monetário das ofertas não é o mais importante, mas sim a intenção e o desejo de dar. Se preferirem comprar os presentes e postais, dê preferência àqueles cujo valor reverte a favor de uma instituição de solidariedade social e explique aos seus filhos que ao comprar aqueles presentes e postais estarão a ajudar pessoas e crianças carenciadas.

Explique aos seus filhos que nem todas as crianças têm a possibilidade de receber presentes no Natal, porque os pais não têm dinheiro ou porque vivem em países mais pobres onde as crianças não têm a possibilidade de ir à escola, de comer quando têm fome e de receber presentes no Natal…

Aproveite para pedir a cada um dos aos seus filhos que escolha uma peça de roupa que já não precise, um caderno, um livro ou uma caneta que já não use para dar a uma instituição de solidariedade social ou entregar numa campanha ou operação de solidariedade neste Natal. Deixe que os seus filhos se dirijam consigo aos locais e que sejam eles próprios a entregar as suas ofertas, para que possam sentir como é gratificante ajudar. Incuta-lhes o espírito solidário e diga-lhes que de cada vez que damos, recebemos algo ainda maior, um sentimento de enorme gratificação! Porque ajudar os outros faz-nos sentir muito bem!

 


Artigo publicado na revista Bebé Culinária, Edição Dezembro de 2010.