Ao longo da história temos vindo a assistir a inúmeras mudanças sociais, nomeadamente, na estrutura familiar. Temos presenciado, particularmente desde o final do século XIX, alterações inclusive no papel de pai e na vivência concreta da paternidade. Vejamos a evolução das alterações que o papel de pai tem registado ao longo das décadas:

Na segunda metade do século XIX, com a Revolução Industrial, o papel fundamental do pai era o de sustentar economicamente a sobrevivência dos filhos. Esperava-se assim que o pai fosse capaz de garantir o alimento e o sustento dos filhos;

Nos anos 40, após a Segunda Guerra Mundial e as depressões económicas, tendo deixado de ser visto como fonte de suporte financeiro, o papel do pai passou a ser o de modelo sexual (que os filhos rapazes deviam seguir). O pai surgia como alguém duro, insensível e autoritário. O grande número de mortes entre os homens neste período poderá ter motivado este modelo de pai;

Na década de 70, com a crescente afirmação das mulheres, a sua entrada no mercado de trabalho e o aumento do número de mães sós (por livre escolha, morte do marido ou divórcio), a mulher passa a desejar um novo modelo de parceiro e de pai para os seus filhos, mais apoiante e interveniente na educação das crianças. É então que os pais-homens começam a dar provas de que também são capazes de cuidar e apoiar emocionalmente os filhos (tarefas que antes eram da inteira responsabilidade da mãe). Esperava-se, assim nesta altura, que o pai tivesse um papel ativo na educação e sociabilização dos seus filhos;

A partir da segunda metade dos anos 80 o papel de pai começa a aproximar-se do papel de mãe, acentuando-se a partilha das tarefas domésticas e educativas.

A partir dos anos 90, até aos dias de hoje, o pai passa assim a ter uma função global de apoio à família e à companheira.

Em suma, as mudanças estruturais na família e na sociedade impuseram inevitáveis mudanças ao papel de pai e à vivência da paternidade ao longo das últimas décadas. As diferentes funções assumidas pelos pais-homens ao longo da história (i.e., pai como sustento, modelo, suporte emocional, envolvido na educação e sociabilização dos filhos e no apoio à família) destacam a importância central do papel do pai no processo de desenvolvimento dos filhos.