A generalidade dos especialistas recomenda que os pais diversifiquem a alimentação do seu bebé a partir do 4º – 6º mês. Porém, é comum observar-se a recusa alimentar do bebé e, mais tarde da criança, face a novos alimentos. Isto leva a maioria dos pais a confrontar-se com dificuldades no momento de diversificar a dieta do seu filho e torna a alimentação um motivo de preocupação para os pais. Como resultado, a rejeição alimentar da criança e a utilização de estratégias do tipo “Se não comeres tudo vais ficar de castigo” marcam cenários recorrentes de verdadeira tensão não só para a criança, mas também para os pais.

A rejeição ou a difícil aceitação de novos sabores e consistências que se verifica frequentemente na infância designa-se por neofobia e é muito observada em lactentes (5 – 6 meses) e em crianças de idade pré-escolar (1 a 7 anos).

A neofobia pode manifestar-se de formas diversas, nomeadamente:

  • A criança manifesta desconfiança face ao novo alimento;
  • A criança examina atentamente o alimento (por exemplo, observa-o de todos os ângulos);
  • A criança evita o contacto com o alimento (por exemplo, separa o novo alimento dos restantes e coloca-o de parte no prato);
  • A criança protesta e recusa a ingestão do novo alimento;
  • A criança expele o alimento ou provoca o vómito quando é obrigada a ingeri-lo.

 

Estes comportamentos originam frequentemente conflitos entre pais e filhos, no entanto, nada têm de problemáticos. De facto, estes comportamentos são característicos de uma fase normal no decurso do desenvolvimento de qualquer criança e não devem desencorajar os pais de continuarem a apresentar novos alimentos à criança.

Os comportamentos neofóbicos podem manter-se por um período mais ou menos longo dependendo da interacção que os adultos (particularmente os pais) estabelecem com a criança no momento das refeições.

 

Recomendações para os Pais

Muitos pais referem dificuldades na alimentação dos seus filhos, destacando a rejeição de novos alimentos como especial fonte de preocupação. As recomendações que se seguem são dirigidas a todos os pais, especialmente aqueles cujos filhos revelam dificuldade na aceitação de novos sabores e consistências:

  • Apresente novos alimentos à criança, mas um de cada vez, juntamente com outros alimentos que ela já conheça e que goste;
  • Face à recusa alimentar:

- Não obrigue a criança a ingerir o alimento (“Não sais da cozinha enquanto não comeres tudo”);

- Não a castigue se ela não quiser ingerir o alimento (“Se não comeres tudo, ficas de castigo”);

- Não utilize alimentos como recompensa (“Se comeres tudo, ganhas uma sobremesa”);

  • Estas estratégias fazem com que a criança ingira o alimento, não porque já gosta do mesmo, mas porque quer evitar um castigo ou quer receber uma recompensa;
  • Ao contrário do que os pais desejariam, os castigos contribuem para que a criança deteste ainda mais o novo alimento e podem inclusive desencadear fobias alimentares na criança. Para além disto, o facto de a criança se habituar a comer quando já não tem fome pode fazer com que ela perca o seu controlo da fome e saciedade, o que poderá originar problemas alimentares futuros;
  • Dê tempo à criança e respeite o seu ritmo, mas não desista de lhe oferecer novos alimentos. Poderá ser necessária a apresentação de, pelo menos, 8 a 10 vezes de um mesmo alimento para que este comece a ser aceite pela criança;
  • Permita que o seu filho brinque com os alimentos enquanto prepara as refeições. Aproveite para apresentar-lhe o novo alimento e permita-lhe desfrutar de momentos divertidos com o alimento;
  • Altere a apresentação do novo alimento, tornando-o mais apelativo e atractivo para a criança;
  • Transforme as refeições em momentos positivos e divertidos para a criança. Se o novo alimento for apresentado num contexto emocional positivo, o seu filho tenderá a aceitá-lo mais facilmente;
  • Dê o exemplo e permita que o seu filho o/a observe a comer o alimento e a retirar prazer da sua ingestão. Se o seu filho observar os pais e os irmãos a comerem o novo alimento, tenderá a aceitá-lo mais facilmente.

 

…E não se esqueça, torne as rotinas alimentares mais saudáveis, coloridas e atractivas para a criança e desfrute de refeições mais agradáveis e divertidas com toda a família!